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a) ANTECEDENTES:

A situação atual das Famílias no Brasil é ao mesmo tempo, marcada pelas tradições do passado e primordialmente pelas profundas transformações sociais ocorridas na humanidade.

Nossa tradição familiar formou-se no período colonial, antes da maciça industrialização, sobre a influência de vários e complexos fatores entre os quais: o regime econômico das grandes plantações, as fazendas de gado, a atuação da Igreja, a imigração de famílias com seus costumes e hábitos, a importação de escravos africanos e outras.

Deste fato, originou-se a família do tipo Patriarcal, marcada pelo poder exercido pelo pai, não só sobre a mulher e os filhos, mas também sobre os dependentes, empregados e escravos. Os poderes do pai eram absolutos e ilimitados, seja como empresário, juiz, educador, político e como autoridade que representava a família na sociedade.

O valor mais importante da família tradicional foram os filhos. Fielmente perpetuavam a estirpe, oferecendo segurança na velhice. E na verdade, o que sustentava este tipo de família era a sua constituição com uma mentalidade essencialmente econômica, voltada para a produção e acumulo de bens imóveis.

Todavia, em extensas regiões do Sul e em algumas áreas do Centro e Nordeste do País, onde predominava a Pequena e Média propriedade Rural, prevaleceu um tipo de família mais Nuclear do que Patriarcal. Nela, a fidelidade conjugal, alicerçada numa sólida e sincera religiosidade, é até hoje, um valor profundamente cultivado.

 

b) MUDANÇA ESTRUTURAL:

A industrialização e a urbanização causaram um grande impacto sobre as estruturas familiares em nosso País. A mulher se emancipou e a realidade dos direitos se igualou entre os cônjuges. Então, agora não mais somente o homem é o mentor, organizador e educador da família, mas o casal. Na maioria dos lares, o casal trabalha em áreas diferentes, objetivando formar uma renda familiar que lhes dê condições de viver com dignidade, criar e educar os seus filhos e desfrutar de um viver sadio. Em consequência, muitas das atribuições da mãe no lar, que cotidianamente ela realizava, foram transferidas para instituições especializadas em crianças e jovens. Tanto o homem como a mulher passam grande parte do tempo trabalhando fora do lar e, também os filhos na escola ou no trabalho aonde permanecem um tempo apreciável longe da residência, trabalhando ou se instruindo e se educando para a vida, praticando esportes, construindo amizades e exercitando o amor numa preparação direta para a multiplicação da família.

As diferenças sociais sempre existiram. Entretanto todas as classes, as mais elevadas assim como as mais baixas, guardadas as devidas proporções, também apresentaram comportamentos idênticos, com a juventude querendo se qualificar para alcançar objetivos mais audaciosos, que lhes proporcionassem melhor remuneração. E também no plano social há aquela preocupação de construir o próprio lar, de se emancipar completamente, a fim de viver a existência a seu modo.

Imaginou-se que a especialização funcional e o trabalho dos cônjuges levariam ao desvaziamento e a desumanização da família, colocando o casamento num plano inferior. Ao contrário, a família “quase sempre” distante dos filhos em face de suas atribuições e compromissos, agora, a maioria se empenha com mais ardor e perseverança, na socialização primária dos filhos e num relacionamento mais profundo e aberto com os adultos, aproveitando o pouco tempo que estão juntos.

Desse modo, a convivência matrimonial e a família se tornaram extremamente importantes para as pessoas, mesmo que em muitas ocasiões existissem tensões, expectativas e até frustrações, oriundas de outras experiências.

Por outro lado, a globalização da mídia trouxe novas concepções da sexualidade e do papel social da mulher dentro da família. Da concepção antiga, segundo a qual tudo era permitido ao homem e tudo negado a mulher, chegou-se à idéia corrente de que o homem e a mulher devem ter a mesma liberdade em tudo e os mesmos limites na atividade sexual. Em consequência, houve uma valorização positiva do sexo dentro do matrimônio, como meio e expressão da união conjugal completa, como algo profundamente significativo e agradável aos dois, em oposição ao ponto de vista antigo, que encarava o sexo como um dever da esposa para com o marido, mesmo se ela estivesse indisposta e sem estímulo, porque também o sexo era realizado quase que exclusivamente para a procriação. Esta nova visão da sexualidade concorreu para facilitar o ajustamento do casal, abrindo espaço ao diálogo e fazendo nascer uma profunda compreensão entre os dois.

Entretanto, a valorização da sexualidade criou meios para o surgimento de “deformações abomináveis”, tais como o erotismo que é comercializado em larga escala através de todos os veículos de comunicação e principalmente pela televisão, excitando a concupiscência e a vaidade pessoal. Junto com este fato, aconteceu uma falsa educação sexual, somente limitada aos aspectos fisiológicos para evitar a gravidez, sem considerar o aspecto moral e religioso da questão. Esta realidade deformou a consciência dos adultos e principalmente dos jovens, levando estes a experiências sexuais prematuras que são nocivas a moralização dos costumes e sufocam o sadio crescimento da personalidade do jovem, desviando sua atenção dos ideais mais nobres e deixando-se dominar pelo desejo e a cobiça da carne, acomodando-se com o presente, sendo envolvido pela ociosidade, não se dispondo a enfrentar o difícil caminho que poderia conduzi-lo a um êxito profissional.

Contra este procedimento dos jovens, as tentativas e atitudes experimentadas por muitos pais objetivando corrigi-los, tem-se revelado sem qualquer resultado prático favorável em curto prazo. Porque imaginam que o fracasso acontece em face de não existir nas Escolas um currículo apropriado sobre a Educação Sexual. Sem dúvida, a Educação Sexual bem administrada há de representar uma contribuição na busca de solução para o problema. Mas só a Instrução Sexual não é suficiente, é necessário que exista um elo mais forte e mais misterioso, como um aprendizado de um retorno as origens da humanidade. Isto porque se revela como instrução completa, prática e teórica, que convidará as pessoas a enfrentarem a realidade espiritual, oferecendo luz e respostas a todas as interrogações da existência, inclusive, revelando o sentido e a razão da vida.

Seguindo por esta estrada, as pessoas terão o ensejo de conhecer DEUS, de alcançar em plenitude a ternura do carinho e da amizade Divina, e se embevecer com a grandeza incomensurável da misericórdia de um maravilhoso DEUS CRIADOR, repleto de bondade e atenção, que jamais abandona um de seus filhos, mesmo aqueles que ainda estão distantes e são rebeldes ao seu Amor, porque ELE é PAI além de ser CRIADOR. Por isso creiam, a solução da existência não está e não se fundamenta na matéria, mas sim no espírito. A matéria não pode ser esquecida, mas deve ser entendida essencialmente como elemento coadjuvante.

 

c) VALORIZAÇÃO DA MULHER:

As mudanças estruturais ocorridas nas famílias trouxeram um reconhecimento mais digno e muito mais abrangente dos direitos e das responsabilidades que compete à mulher. Principalmente entre os jovens casais, na atualidade existe a convicção de que a família, antes de representar uma função social, é uma construção a dois, que exige um contínuo e perseverante esforço de compreensão e cooperação mútua e, por isso mesmo, suscita estabilidade. Apesar das aparências contrárias, nunca foi tão autêntico como em nossos dias, o relacionamento homem-mulher na família. O vínculo matrimonial não é mais considerado como um elo prioritariamente biológico, mas como uma demonstração do amor que existe entre os cônjuges.

As novas condições de vida contribuíram para uma mudança na posição da mulher em relação ao marido: de apenas geradora de filhos e executora de tarefas domésticas para a missão real de companheira que compartilha com o marido, as responsabilidades na direção e no sustento do lar. E, por conseguinte, na orientação e educação de seus filhos. Ao mesmo tempo, a mulher vai alcançando lugar de destaque na sociedade, exercitando profissionalmente em diversas e variadas áreas de trabalho, concorrendo em igualdade de condições com o homem, embora ainda existam muitas barreiras.

 

d) A FAMÍLIA COMO LUGAR DE REALIZAÇÃO DA PESSOA:

É possível afirmar que a família na transição do passado para o presente, assumiu novas formas de relacionamento entre seus membros, que se tem mostrado benéfica e construtiva, embora também existam deformações e comportamentos anormais. O aspecto mais importante deste novo tipo de relacionamento é a valorização pessoal de cada um de seus membros. Eles anseiam e esperam da estrutura familiar o necessário apoio que lhes proporcione condições de crescimento e realização pessoal para concorrer em igualdade de condições, na busca de melhor emprego ou numa almejada especialização profissional.

 

e) CONDIÇÕES SOCIAIS QUE DIFICULTAM:

Todavia, embora tenha havido progressos e esforços em benefício das famílias, em algumas áreas permanecem situações de carências para uma parte da população brasileira. As condições inadequadas de habitação, educação, alimentação e saúde, tornam humanamente inviáveis a constituição e o desenvolvimento normal das famílias. A promiscuidade dos aglomerados habitacionais na periferia das grandes cidades, a falta de urbanização e apoio cultural logístico as favelas que estão em todas as partes, afetam negativamente as estruturas familiares. A instalação precária, a falta de emprego fixo e a ausência de oportunidade profissional resulta em permissividade sexual, violência, trafico e consumo de drogas, atingindo especialmente os adolescentes e agravando o drama do menor sem família. Também em alguns ambientes de renda média e alta, é constatada a permissividade sexual e a desagregação da estrutura familiar, estimulada pelo desequilíbrio moral e pela falta de religião, excitados pela propaganda da sociedade de consumo que conduz as pessoas a desejarem o que está acima de seu poder aquisitivo ou das normas dos bons costumes, frustrando-as pela cobiça desenfreada, tornando-as infelizes e desajustadas, capazes de realizarem atitudes incompatíveis com a boa moral, quando não conseguem o que “querem”.

 

f) A SECULARIZAÇÃO COMO DESAFIO PASTORAL:

Além dos aspectos mencionados temos outros, em escala menos intensa, mas que também atuam e atuaram no processo de transformação das famílias.

Sob o termo “Secularização” é indicado um processo de transformação social e cultural, pelo qual , certos setores da vida social e as normas ou valores que os regem, passam da influência da Igreja, ou da religião, para uma situação de autonomia, ou seja, passam da Igreja para o “mundo ou século”. O processo de “Secularização” em si, não é um mal. A doutrina católica reconhece a legítima autonomia das realidades terrestres. Muitas vezes, porém, a “Secularização” conduz a ambiguidades e conflitos com os valores cristãos, como acontece com o Matrimônio e a Família.

O Matrimônio e a Família têm, antes de tudo, uma dimensão “terrestre”, ou seja, uma dimensão humana e secular, que pode ser desenvolvida e aperfeiçoada na nova perspectiva que a Revelação cristã indica, a qual faz do Matrimônio um “Sacramento” e da Família, uma “Pequena Igreja” ou “Igreja Doméstica”, sinal de uma vida em comunhão com Deus.

Entretanto, em ambientes da classe média e alta, e, sobretudo, em grande parte do meio universitário, a concepção da Família é submetida a um violento processo de dessacralização (querem acabar com tudo que nela é sagrado). Neste contexto pode-se situar a emenda na Constituição Nacional que introduz o divórcio legal no Brasil. É uma medida que provavelmente não vai afetar em curto prazo a situação familiar principalmente das classes de renda baixa, porque dificilmente poderão permitir-se ao luxo de contratar advogado para uma ação judicial de divórcio. Todavia, em longo prazo, o exemplo das outras classes mais elevadas, poderá influir negativamente sob o aspecto da fidelidade conjugal e da estabilidade familiar.

As mesmas considerações podem ser feitas para a tentativa de oficializar e legalizar no Brasil a lei do aborto. Existe, uma tentativa acirrada e acesa no Congresso Nacional, da qual participam “lobistas profissionais” contratados por indústrias farmacêuticas, por milionários excêntricos e cientistas de formação duvidosa, contra aqueles que conscientemente trabalham e batalham em defesa da vida humana.

De modo mais amplo e geral, todos estes acontecimentos devem ser previstos e aceitos como um desafio que exige uma resposta de ação e de testemunho autenticamente cristão, para impor o direito, a justiça e o amor fraterno. Existe uma guerra interminável entre o “bem” e o “mal” e que por isso mesmo, no futuro, quem sabe, poderão surgir outros fatores desagregadores que queiram incidir sobre a família, neste constante processo de transição em que ela está inserida.

Por isso, a vigilância individual se faz necessária, para que os casais não sejam surpreendidos pela adversidade e possam constituir as suas famílias, buscando a felicidade no viver cotidiano e trabalhando com dignidade para o progresso e desenvolvimento da Nação.

 

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